Gestalt Aplicada ao Design Automotivo

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Ao olharmos um veículo ou um objeto, seja por foto ou ao vivo, muitas sensações nos são trazidas, dado ao fato de que uma gama de informações nos são passadas já no primeiro contato visual. Essas informações, que nos geram as sensações, não são obras do acaso e sim frutos de um bom design, com fortes embasamentos no que chamamos de Gestalt. Neste material iremos conhecer um pouco mais sobre Gestalt aplicada ao Design Automotivo. 

A Gestalt trata da psicologia da forma, ou seja, a utilização de suas leis possibilita ao designer se comunicar com o seu público através de um objeto ou uma imagem. Ela se baseia basicamente no fato de que nosso cérebro, em vez de decifrar cada parte da forma visual, ele lê a soma do todo. Pois, para ele, o todo é mais importante que a parte.

Portanto, pode se resumir que a Gestalt basicamente fala que, “A+B”(sendo A e B partes de um todo) não é simplesmente “AB”, mas sim um terceiro elemento “C”, que possui características próprias A+B=C

Para tal, ela nos traz algumas leis, como por exemplo:

  • Unidade
  • Segregação
  • Fechamento
  • Continuidade
  • Proximidade
  • Semelhança
  • Pregnância

Agora vamos explicar brevemente cada um, com alguns exemplos na área automotiva!

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Unidade: Diz respeito à conceituação de um elemento, que pode ser construído por uma única parte, ou por várias partes que em conjunto constroem este elemento.

imagem de uma lamborguini - Gestalt aplicada ao Design Automotivo imagem de uma lamborguini - Gestalt aplicada ao Design Automotivo

O Y, identidade forte da Lamborghini, representado de duas maneiras:

  • Na primeira é construído por uma unica forma de Y.
  • Na segunda ele é constituídos por três partes, que no todo constroem o Y

Segregação: Esta Lei fala sobre a capacidade que o cérebro tem de perceber, identificar, separar e destacar informações dentro de uma composição. Isto pode servir para definir hierarquias ou diferenciar partes da composição/unidade.

Dependendo do contraste, peso ou estímulo causado pelo elemento visual, ele terá mais destaque ou se diferenciará de outros elementos da mesma composição.

imagem de um audi a6 - Gestalt aplicada ao Design Automotivo

O ‘single frame’, elemento hexagonal e forte identidade da Audi carrega o logo da marca, por isso ganha um destaque na composição (carro), trazido pela utilização de um material com acabamento mais chamativo, no caso cromo.

Fechamento: Elementos são agrupados se eles parecem se completar. Ou seja, nossa mente tende a ver um objeto completo, mesmo quando não há um.

imagem de uma onix - Gestalt aplicada ao Design Automotivo destaque do elemento grade chevrolet onix - imagem de uma lamborguini - Gestalt aplicada ao Design Automotivo

Neste caso, o escudo da Chevrolet, é formado por dois elementos, ‘interrompidos’ pelo ‘body’ do carro, que se conectam visualmente, fechando a forma.

Continuidade: é a Lei da Gestalt a respeito da fluídez de uma composição. Se os elementos de uma composição conseguem ter uma harmonia do início ao fi m, podemos dizer que ele possui uma boa continuidade. A continuidade é importante para que o cérebro decifrar melhor o código visual de uma composição. Ou seja, facilitar a compreensão e a comunicação.

imagem de uma ferrari- Gestalt aplicada ao Design Automotivo

destaque das linhas da ferrari - Gestalt aplicada ao Design Automotivo

Na LaFerrari podemos observar esses exemplos de continuidade das linhas, mesmo que interrompidas, que percorrem o carro do começo ao fim. São linhas que não se perdem e guiam nosso olhar por todo o objeto.

Proximidade: Elementos próximos tendem a se agrupar, constituindo uma unidade e vão parecer mais próximos e unificados quanto menor for a distância entre eles. As formas semelhantes tendem formar uma proximidade visual muito maior que formas não semelhantes.

conceito de proximidade aplicado ao volkswagen- Gestalt aplicada ao Design Automotivo conceito de proximidade aplicado ao volkswagen- Gestalt aplicada ao Design Automotivo

A utilização desses ‘quase los angos’ variando apenas no tamanho, no Volkswagen ID, criam parte dos gráficos e por mais que sejam elementos separados, visualmente, são lidos como uma coisa só.

Semelhança: Assim como na Proximidade, aqui os objetos tendem a se agrupar visualmente quando têm características semelhantes. Esta característica pode ser a forma, cor, direção, textura, etc.

conceito de proximidade aplicado ao volkswagen- Gestalt aplicada ao Design Automotivo conceito de proximidade aplicado ao volkswagen- Gestalt aplicada ao Design Automotivo

Aqui no Volkswagen ID Buzz, dentre vários ‘losangos’ é possível ler uma unidade hexagonal, graças às mesmas características de cor dos elementos que a compõe.

Pregnância: Pode se dizer que é a medida da facilidade de compreensão, leitura e identificação de uma composição visual. Quanto maior a Pregnância, maior será a rapidez da leitura da forma pelos nossos olhos e, sendo assim, melhor será a comunicação e entre o objeto e o receptor. Aqui podemos, ainda, citar o ‘menos é mais’, lembrando que quanto mais essencial o design, mais fácil de ler ele é. O uso de poucas linhas e formas simples, são uma boa maneira de aplicar essa lei.

conceito de pregnancia aplicado a lamborguini - Gestalt aplicada ao Design Automotivo conceito de pregnancia aplicado a lamborguini - Gestalt aplicada ao Design Automotivo conceito de pregnancia aplicado a lamborguini - Gestalt aplicada ao Design Automotivo

A Lamborghini trás através das décadas uma das mais icônicas silhuetas do mundo automotivo. Atemporal gracas a sua simplicidade de leitura, em uma linha só, ela é uma das características que mais definem os carros da marca.

Podemos ainda buscar mais exemplos gerais da Gestalt no mundo automotivo!

O que nos faz pensar que esse 208 está feliz? Se você respondeu que é sua cara, esta certo e isso também não é algo acidental. Se analisarmos qualquer carro, logo vemos que cada um tem uma cara, um rosto que nos traz alguma expressão, logo também nos passa alguma sensação.

carros similares a rostos - Gestalt aplicada ao Design Automotivo

Os faróis sao como os olhos, sempre muito expressivos, e as entradas de ar como bocas. Essa relacao trazida pela indústria deixa o produto mais humanizado e cria uma maior aproximação do produto com o ser humano. É uma conexão feita instintivamente pelo nosso cérebro. Dessa maneira cada tipo de veículo tende a mostrar uma emoção de acordo com sua ‘função’, os esportivos por exemplo, tendem a mostrar agressividade, ferocidade, algo do tipo “eu vou acabar com você na pista”. Enquanto os carros mais populares e city cars, são mais amigáveis e trazem um sorriso e olhos mais alegres.
Em termos técnicos temos essa leitura pois lemos os elementos como um todo, ou seja, Faróis + Entrada de ar formam o conjunto ‘‘Face’’. Lembra, A+B=C!

Esse é apenas uma pequena parte da Gestalt no mundo automotivo, porém as coisas vão muito mais a fundo, todo elemento do design de um carro foi colocado ali por uma razão, para uma determinada mensagem ser passada.

Com o tempo, muito estudo e principalmente observação, vamos aprendendo cada vez mais como utilizar a Gestalt, até se tornar algo intuitivo. O que precisamos é ter clara ideia adequação da mensagem que queremos passar e ai partir para as soluções através do Design, fazendo do seu produto, mais do que um simples objeto, mas sim uma forma de comunicação.

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